Em 2005, quando entrei na faculdade de economia, este tema era parte de uma tediosa disputa restrita a acadêmicos.

Presidente George H. W. Bush, e presidente Mikhail Gorbachev em Moscow, 1991. Rick Wilking/Reuters

Mais de 15 anos após a queda do muro de Berlim, a economia americana crescia em ritmo acelerado com a política de juros baixos do banco central americano no período de gestão do – quase vitalício – presidente Alan Greenspan, que assumia esta política para financiar os custos dos EUA com a guerra ao terror e a invasão do Afeganistão e Iraque.

Presidente Bush nomeia, Ben Bernanke, à direita, como novo presidente do FED, substituindo o quase-lendário Alan Greenspan, à esquerda, no Salão Oval, Casa Branca, Washington, 24 de outubro de 2005. (AP Photo/J. Scott Applewhite)

Naquele momento, ninguém diria que 15 anos depois o mundo reviveria este dilema novamente, após ter passado a maior parte do século XX dividido sobre ele.

Mas já dizia um teórico famoso do socialismo, “a história se repete”. E como previu uma das minhas professoras, o capitalismo de fato entrou numa crise não muito tempo depois, justamente por causa do almoço grátis promovido pelo banco central americano para sustentar as despesas de guerra.

Karl Marx (1818-1883), filósofo e político alemão.

Foi a famosa crise do subprime de 2008, que, ao inflar o mercado imobiliário americano, distribuiu casas a quem não poderia pagar produzindo um efeito dominó de quebradeira de bancos, seguradoras e outras empresas que tiveram que ser salvas pelo governo.

O crash de 2008 dentro da NYSE (New York Stock Exchange).

O equivalente à crise de 1929 para o século XXI, esta crise criou o terreno para a guerra comercial e biológica que estamos vivendo hoje, que corresponde à terceira guerra mundial, e, uma segunda guerra-fria.

Mas já temos artigos falando disso neste blog. O tema deste texto é como o Brasil fica neste contexto de polarização entre super potências do norte e a busca para uma resposta para esta pergunta: qual caminho seria o melhor para o Brasil?

Esta questão, que já deveria ter saído de moda no século passado tal como questionar se a Terra é redonda, tampouco foi pacificada e polarizou violentamente as duas últimas eleições, tal como no século passado.

Aí eu já havia saído da faculdade depois de ter mudado de curso, trocando o curso de economia pelo de administração.

E quando em 2013 o Brasil foi surpreendido por uma onda de manifestações nas ruas de quase todas as suas capitais, eu mergulhei numa pesquisa sobre um campo da teoria econômica abordado no curso de economia, porém de modo quase tangencial comparado com o universo fascinante nele contido: a teoria dos jogos.

Junho de 2013, Manifestantes invadem área externa do Congresso Nacional Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Esta pesquisa produziu o livro que nomeia este blog e cumpre com a produção de uma resposta criativa para esta questão que até hoje mobiliza discussões apaixonadas por todo o Brasil, e pelo mundo, e revela elementos surpreendentemente novos no debate que são radicalmente ignorados por ambos os lados.

Capitalismo ou socialismo: o que seria melhor para o Brasil?

A resposta é: qualquer um poderia ajudar a desenvolver o Brasil.

Nosso subdesenvolvimento não se deve a nenhum dos dois, como foi repetido no começo do atual governo por diversas das suas lideranças políticas.

Jornal britânico The Guardian repercute fala de Bolsonaro sobre “libertar o Brasil do socialismo” no exterior

O Brasil nunca foi nem socialista nem capitalista. Com excessão de São Paulo, o Brasil praticamente não é um país capitalista.

A força das bancadas ruralista e da bancada da bíblia no congresso não nos deixa ter dúvidas de que o Brasil ainda vive o sistema anterior: o feudalismo.

Somos intensamente feudalistas pois somos um país que ainda não confia plenamente nas instituições jurídicas, preferindo fazer negócios em família, e onde instituições republicanas como a segurança pública ainda não se consolidaram, fazendo com que qualquer casa em qualquer cidade do Brasil ainda precise ser murada e cercada tal como eram os castelos medievais. O Brasil desenvolveu um paradoxal e estranho modelo de feudalismo urbano com 85% de sua população urbanizada.

Casas com muros: a arquitetura urbana brasileira.

Somos, portanto, ainda muito desiguais e atrasados, parecidos com a Rússia e a China antes de viverem suas respectivas revoluções socialistas. Tanto a Rússia quanto a China tiveram bastante desenvolvimento depois de passar por essas revoluções que tiveram a capacidade de finalmente impor instituições racionais e industrialização às suas sociedades, cada uma à sua maneira, é claro.

Mas o Brasil ainda não foi capaz de fazer uma revolução nem socialista, como a Rússia e a China, nem capitalista, como a revolução americana que levou os Estados Unidos à independência e à formação das instituições capitalistas que aceleraram por lá o seu processo de industrialização.

O Brasil vem se mantendo, ao longo dos séculos, fiel às suas origens feudalistas e mercantis que fundaram a nossa sociedade, e firmemente equilibrados em cima do muro, como bons brasileiros que somos. Talvez por falta de vocação para o socialismo, pois não temos um contingente populacional como tinham China e Rússia, junto com excesso de diversidade étnica se compararmos a estes países. Mas também por que, estando no hemisfério sul, estamos deslocados do centro econômico no planeta que fica no hemisfério norte e que favoreceu os Estados Unidos na atração de capitais e a se tornar um país capitalista, enquanto o Brasil só atraiu capitais para permanecer eternamente na faixa de renda média.

Progressão dos dados de renda per capita e densidade demográfica para período de 1950 a 2015. ARANTES, Rodrigo. A Jogada, Sabedoria dos Jogos para a Nova Geração de Gestores. 2018, 233 a 245 f.

O Brasil estagnou neste dilema por que ainda não produziu uma teoria própria como resposta para este dilema. E foi isso que me levou a dedicar meus últimos ste anos a resolver este dilema com uma nova teoria que acredito ser a solução universal para este dilema histórico que polariza o planeta há quase dois séculos.

A verdade é que nenhum dos dois sistemas dão conta de contemplar a imensa diversidade e complexidade do Brasil. Nem mesmo os conceitos de economia e de burocracia servem para processar toda a nossa complexidade.

 

Os quatro arquétipos da psicologia do jogo de Richard Bartle aplicados à geopolítica internacional. ARANTES, Rodrigo. A Jogada, Sabedoria dos Jogos para a Nova Geração de Gestores. 2018, 246 f.

Por mais que sejam antagônicos, capitalismo e socialismo tem algo muito profundo em comum: a burocracia que produz suas estruturas igualmente piramidais e que causa em ambos o mesmo processo de corrupção. Surgiram dessa pesquisa conceitos sucessores destas ideias: ludocracia, como evolução da burocracia, ludonomia, como evolução de economia e ludologia (gameologia), como ciência que estuda a realidade pela ótica do jogo. Conceitos aprofundados no livro A Jogada.

Burocracia e estrutura piramidal de organograma

Se solucionando os defeitos da burocracia também solucionamos os defeitos da economia. Com a ludocracia podemos criar uma administração criativa e colaborativa que usa elementos das mecânicas dos jogos para organizar e acelerar as relações entre os envolvidos num projeto ou empresa. Com a ludologia, posicionamos no centro da economia o capital simbólico e os recursos imateriais como o conhecimento e a criatividade, que são recursos renováveis, em vez de recursos materiais não renováveis como combustíveis fósseis e minerais.

Ludocracia: organizações com organograma em mandala e estruturadas em rede

Estas duas coisas são essenciais para o século XXI, e solucionam problemas pertencentes tanto ao capitalismo como ao socialismo.

Agora só nos falta levar este novo paradigma para os quatro cantos do mundo e nos libertar deste momento de esquizofrenia que pode nos roubar décadas repetindo a história mais uma vez.

 

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