Uma das coisas que mais escutamos neste país, desde que nascemos, é que nós, brasileiros, não temos caráter.

Será mesmo que isso é verdade?

Eu criei um modelo científico para testarmos isso e confirmei que sim.

Mas antes de apresentar, precisamos primeiro qualificar melhor o que significa ter “caráter”?

 

Não ter caráter é sinônimo de ser um “mau caráter”?

 

Precisamos analisar e qualificar o conceito de caráter antes de mergulhar nesta reflexão:

Caráter, logicamente, é o que caracteriza algo ou alguém. Ou seja, ter caráter significa ter uma identidade definida. Portanto, até mesmo um criminoso mau caráter confesso pode ter caráter, pois tem uma identidade definida.

Não ter caráter, portanto, não significa ser mau ou bom. Significa não ter se decidido sobre o que se quer ser. E isso pode ser ruim ou bom, dependendo do que for escolhido.

Pessoas sem caráter definido ainda tem escolhas existenciais a fazer na vida: elas podem ser pessoas mais abertas a conhecimentos novos vindos de fora, e assim, tem mais chances de evoluir do que uma pessoa que já tem a cabeça feita. Por outro lado, estas pessoas também estão mais vulneráveis a propostas imorais tais como aceitar subornos e outras formas de corrupção passiva.

Dito isso, vamos então ao modelo:

 

Marca: uma prova de caráter

 

Richard Bartle é um especialista em inteligência artificial que inventou um modelo de arquétipos para descrever a psicologia dos jogadores num ambiente virtual. Ele chamou seu modelo de Ouros, Copas, Espadas e Paus.

Publicado em 1996, este modelo ainda continua sendo uma das principais referências sobre a psicologia dos jogadores num ambiente virtual.

Seu modelo oferece uma definição desses arquétipos por suas motivações e objetivos quando em jogo:

Os quatro arquétipos de Richard Bartle: https://mud.co.uk/richard/hcds.htm

 

Ouros (realizadores): são os jogadores que focam na pontuação (10%).

Copas (socializadores): são os jogadores que focam na conexão com novos jogadores (80%).

Paus (matadores): sãos os jogadores que focam na interação negativa com outros jogadores, popularmente conhecidos na internet como ‘trolls’. (>1%)

Espadas (desbravadores): são os jogadores que normalmente já acumularam suficiente pontuação no jogo passando a se concentrar em descobrir curiosidades dentro do universo do jogo. (10%)

Com a ajuda de um cientista de dados apliquei sobre este modelo os dados de renda per capita e densidade demográfica fornecidos pela ONU e pelo Banco Mundial transformando cada país num jogador dentro da economia mundial para identificarmos com quais arquétipos estes países tem maior semelhança.

Progressão dos dados de renda per capita e densidade demográfica para período de 1950 a 2015. ARANTES, Rodrigo. A Jogada, Sabedoria dos Jogos para a Nova Geração de Gestores. 2018, 233 a 245 f.

 

Os dados então obtidos com esta simulação de computador foram então agrupados num modelo dividido em quatro quadrantes que permite uma análise precisa sobre o nível de evolução de suas economias, que sintetizo então em quatro áreas sobre as quais se concentram suas economias: extrativista (paus), agropastoril (copas), industrial (ouros) e criativa (espadas).

Os países que alcançaram os níveis mais altos de desenvolvimento e os menores índices de percepção de corrupção são os mesmos países que concentraram suas economias em indústrias baseadas no capital simbólico da economia criativa, por modelos de negócios baseados no patrimônio cultural e natural, como design, arte, turismo e gastronomia e a economia gira em torno da singularidade da identidade de cada nação.

Os quatro arquétipos da psicologia do jogo de Richard Bartle aplicados à geopolítica internacional. ARANTES, Rodrigo. A Jogada, Sabedoria dos Jogos para a Nova Geração de Gestores. 2018, 246 f.

Para criação de uma marca forte é necessário o investimento de milhares de horas além de muito dinheiro, e somente quando já se adquiriu este patrimônio que se passa a ter noção do risco que existe em se aproximar esta marca de atividades eticamente ou moralmente duvidosas.

Todos sabemos o quanto o Brasil é um país criativo, mas também, o quanto ainda vivemos do extrativismo e da exportação de commodities de baixo valor agregado. E é isso o que nos classifica, como nação e como indivíduos, entre os países “sem caráter”, ou seja, sem marca e identidade definidas.

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