Leia mais em: https://veja.abril.com.br/esporte/mao-de-deus-e-gol-do-seculo-consagracao-de-maradona-completa-30-anos/
Democracia é um ideal, e uma teoria política, que estrutura a civilização desde a antiguidade mas que possui diversos problemas que ao longo de toda a história foram debatidos pelos mais importantes intelectuais. Entre os quais, Sócrates e Platão, que rejeitaram a sua natureza pois diziam que ela tinha por tendência acabar colapsando em ditaduras autoritárias e estabelecidas pelo próprio apoio popular.
Estas críticas que permanecem vivas até hoje passados mais de 2 mil anos, ainda se somam a questionamentos técnicos a respeito da fraudabilidade da ferramenta que viabiliza a democracia, que é a urna. Esta tem sido a questão em debate em algumas das maiores democracias do mundo como Estados Unidos e Brasil.
De seu surgimento na Antiga Grécia até hoje, este ideal popular e paradigma de civilização tem possibilitado ciclos de profunda evolução cultural e econômica, mas também antecedeu ciclos de profundas crises e decadência em civilizações que anteriormente brilharam como a antiga Grécia, Roma, a França napoleônica, a Itália de Mussolini e a Alemanha de Hitler, e os Estados Unidos de Donald Trump e o Brasil de Jair Bolsonaro.
Como toda ferramenta, o voto é uma faca de dois gumes, e por várias vezes na história já foi usado como arma para dar poder a pessoas que tinham como proposta a opressão de seus opositores.
Quais são os limites da democracia?
Idealizado como sistema político milênios atrás de uma cidade com menos de 100 mil habitantes, a democracia já ganhou o mundo por sua popularidade e simplicidade e potencial emancipatório de povos e de grupos demográficos, sendo o sistema político de organização de bilhões de pessoas pelo mundo todo. Porém, é necessário reconhecermos os seus limites se pretendemos ser responsáveis pelos nossos próprios destinos, a fim de aprofundarmos e aperfeiçoarmos o poder civilizatório da democracia. No momento presente em que vivemos, este debate está entre os mais prioritários para a manutenção da estabilidade de cidades e até mesmo estados e nações.
Para isso necessitamos dividir estas limitações da democracia em duas categorias de diferentes naturezas:
1. Teóricas: referentes à premissa fundadora da democracia como todo poder pertencer ao povo.
2. Técnicas: referentes à hipótese técnica da democracia que é a possibilidade de sabermos o desejo de todo o povo em países com centenas de milhões de pessoas povo por meio da ferramenta da urna, sem que existam fraudes e outras manipulações.
Podemos superar estas limitações por meio de uma inovação que compreende e contempla um poder maior que o próprio povo. Pois sendo o jogo a paixão do povo, a ludocracia então se mostra a verdadeira realidade do poder, e aqueles que melhor sabem manipular as peças do jogo, manipulando assim o povo, detém o real poder.
Pergunte quem detém os direitos de transmissão dos jogos de futebol e saberá quem manda num país.
Já a ludocracia também é ‘à prova de fraude’, pois o jogo também admite as fraude como parte natural do jogo, pois a fraude só é possível pelo domínio técnico dos artefatos deste jogo, uma vez que o poder emana destes artefatos, e não do jogador, que é o povo, como se acredita na democracia.
Uma prova política e também simbólica disso é que descobrimos hoje que o mundo, por fim, reconhece o famoso gol da mão de deus de Maradona, não só como legítimo, por ter valido uma copa contra a Inglaterra, mas como o gol do século, por corrigir uma injustiça histórica como consequência da recente guerra entre a Argentina e a Inglaterra pelas Ilhas Malvinas.
Então a ludocracia nada mais é do que a tecnocracia do jogo, onde aqueles que melhor dominam os princípios e artimanhas do jogo, para o bem ou para o mal, conquistam e mantém o poder, até virem a ser superados.
Se vermos assim, entenderemos que a ludocracia é o único sistema que existe, que já existiu e que sempre vai existir de poder. Pois é fácil ver que tanto a democracia, como a política a guerra e o comercio, são jogos de estratégia, como explicava o filósofo holandês Johan Huizinga, autor do livro Homo Ludens, à quem podemos creditar a metafísica desses pensamentos. Pois estratégia é o próprio nome do jogo e que consiste em ver e entender as camadas que constituem a nossa realidade da matéria aos símbolos com todas as outras camadas intermediárias de artefatos de poder.
Enquanto a democracia confia na urna a segurança sobre o destino das pessoas, a ludocracia contempla a urna e todas as outras ferramentas e armas existentes, mais as possíveis, que podem ser inventadas ao longo da corrida tecnológica, como peças legítimas do jogo do poder.
Pensando por esta perspectiva, o mundo é um jogo onde os países vencedores são aqueles que melhor dominam o jogo de desenvolver e possuir tecnologias estratégicas para o jogo do poder para se protegerem de outros países que impõem seus próprios preços por suas tecnologias. Uma permanente corrida tecnológica que legitima os poderes e direitos daqueles que mais empurram para frente as fronteiras da técnica e do conhecimento.
Neste sentido, o Brasil pode estar mais uma vez sendo base para a proposição de uma teoria de ciência política que melhor reflete a realidade, como a lei da seleção natural, mas aplicada a seleção de pessoas jurídicas como empresas, cidades e estados nacionais que concorrem mundo a fora na lógica “farinha pouca, meu pirão primeiro”, que será a única lógica do ser humano enquanto não existir um governo global que controle e racionalize a utilização dos recursos naturais do planeta. O que é mais um problema para a teoria dos jogos.