Manifesto por uma Administração Baseada em Jogos (Ludocracia)
#1: – A Administração Científica é uma ciência jovem que começou pelo trabalho de um engenheiro mecânico chamado Frederick Taylor com o livro Principles of Scientific Management (1911). Sua visão materialista da realidade, baseada em Física Mecânica, predominou sobre toda a Era Industrial e ainda se encontra fortemente presente na cultura de administração moderna, determinando a organização dos espaços de trabalho de uma maneira incoerente com a atual realidade da Era da Informação.
#2 – Tal ciência se encontra na virada de seu segundo século de existência e desta vez novas noções de física e mecânica entram para ocupar os espaços de trabalho atuais. Na Era em que vivemos, o objeto de trabalho – a informação – é etéreo e potencialmente infinito. E para sistematizar sua utilização, precisamos ter domínio sobre uma outra noção de física. Uma física capaz de ir além das coisas físicas. Também conhecida por Metafísica.
#3 – Estudando sobre os conceitos de metafísica, nós nos apropriamos dos efeitos dos símbolos na produção de significado e desejo. Com o poder dos símbolos podem-se construir mecânicas de jogo a partir do estabelecimento de uma meta, pois é o estabelecimento da meta que coloca ‘em jogo’ as possibilidades de alcançar o sucesso ou fracasso (da jogada). Assim, o estabelecimento da meta define os princípios de causa e efeito para alcançá-la, revelando com isso uma Mecânica de Jogo.
#4 – Pelo sentido de uma nova noção de física, a Metafísica dos Jogos, surge então uma nova engenharia do abstrato, a Engenharia de Mecânicas de Jogo. E desta nova engenharia, ferramentas chamadas Game Engines.
#5 – Uma Engine de Jogo [ou Game Engine] é um sistema lógico capaz de gerar jogos e responsável unicamente pela coerência da mecânica de um jogo. Em cima deste esqueleto matemático, game designers ou playmasters criam camadas simbólicas usando elementos como histórias, narrativas imagens e personas para dar vida à matriz matemática nua da Engine, e viabilizar assim a simulação da realidade e a imersão em experiências e vivências singulares, seja num RPG eletrônico ou analógico, as engines precisam prever infinitas possibilidades de ações e efeitos por partes dos jogadores.
#6 – Engines de Jogo serão as novas engrenagens industriais na Era da Informação. Mas diferentemente da Era Industrial, as novas máquinas abstratas da Era da Informação não serão programadas para a padronização mas sim para a Singularidade de cada um dos seus produtos: as Experiências.
#7 – Isto significa a disrupção em uma nova forma de administração diferente da tradicional. A Administração Baseada em Jogos pode também ser chamada de Administração Criativa. Porque enquanto a administração tradicional almeja a repetição de um padrão ótimo, a Administração Criativa almeja a não–repetição de padrões. Esta nova forma de administração tem o objetivo de singularizar qualidade, enquanto a administração tradicional procura padronizar qualidade.
#8 – Como resultado da utilização de Engines de Jogo como interface homem-trabalho, homem-conhecimento, homem-situação, esta nova administração pode ser exponencialmente mais produtiva que a administração tradicional. Pelas lentes 4D da Metafísica dos Jogos, as possibilidades são multiplicadas e a participação da inteligência coletiva no processo decisório coletivo é massivamente superior se comparados com os métodos tradicionais de administração.
#9 – Como mudança prática nas vidas das pessoas, esta transição significa simplesmente sairmos do modelo de gestão que tem como interface de informação o documento, e seu fiel companheiro o bureau, para um modelo que usa boards, e tabuleiros, como interface de informação e decisão. Estas ferramentas diferentes constroem em torno de si duas arquiteturas organizacionais diferentes: a arquitetura em pirâmide e a arquitetura em mandala. A primeira em 2D e a segunda 4D: são elas a Corporação e a Rede.
#10 – Apesar dessa proposta de organização humana parecer nova e disruptiva, é nossa velha conhecida forma de organização tribal. E as redes, compartilham com esta forma antiga de organização a alta consciência sobre o simbólico e a adoção de rituais como processos de engajamento colaborativo. Os símbolos sintetizam suas identidades e os rituais celebram valores e a participação do indivíduo na criação do Todo.
#11 – Assim, o ritual praticado por estas cyber tribos na era da informação ganha o nome de Jogada, por ser este o rito de realização do esforço para alcançar uma meta. Individualmente ou em grupo, a Jogada é a prática de criação e desenvolvimento colaborativo de projetos ágeis de curta ou média duração que ganham uma mecânica e um significado diferente pelas lentes da lógica e simbolismo do Jogo. Ao estilo de vida oriundo desta prática de rituais no cotidiano do trabalho damos o nome de PLAYWORKING.
Brasília, 14 de janeiro de 2015, Brasil.
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